Legislativo se reúne com professores da rede municipal para mediar negociações e tentar evitar greve

IMG_7980Na manhã desta quinta-feira (15), representantes dos professores da rede municipal de Campo Verde se reuniram com os vereadores, com objetivo de esclarecer a situação atual de descontentamento da categoria, que ameaça entrar em greve. Nos últimos dias, os professores vêm se mobilizando e realizando atos de manifestação, com o intuito de chamar a atenção da sociedade para a pauta com reinvindicações que tem como pontos principais a reposição salarial da classe, aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salarios, Gestão Participativa nas Escolas com eleição de diretores e coordenadores, e piso salarial nacional, entre outras.

Professores da rede municipal de ensino de Campo Verde lotaram o Plenário da Casa de Leis para assistir à Sessão na última segunda-feira (12), e pedir o apoio do Poder Legislativo. O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep) havia protocolado um ofício junto à Câmara Municipal, solicitando o uso da tribuna por um representante durante a Sessão Plenária. O pedido foi aprovado pelos vereadores, e o professor Luiz Carlos Rolon leu um discurso extenso, que motivou os vereadores a marcarem a reunião de quinta-feira.

Uma das lideranças do movimento, o professor Rolon disse que o principal objetivo da reunião era de esclarecer aos vereadores os motivos da insatisfação da categoria. “Viemos fazer um esclarecimento geral a todos os vereadores, já que talvez nem todos tiveram acesso às informações que divulgamos nos últimos meses”, afirmou.

O professor ainda enfatizou que a categoria não deseja a greve, e que os professores buscam diálogo. “A greve por tempo indeterminado não é um objetivo nosso. Na realidade, o Sindicato [Sintep] é um intermediário. Fazemos a mediação entre o Poder Executivo e a categoria. Tivemos avanço, pois fizemos uma reunião com o Executivo nesta quarta-feira [14] com a presença do chefe de gabinete e secretário de finanças [Gilmar Prati], com a própria secretária de educação [Andrea Schoereter], dando a entender que há uma preocupação do Executivo com o alerta de greve que a categoria vem fazendo”, destacou Rolon.

O presidente da Câmara Municipal, vereador José Humberto dos Santos, ressaltou que o Legislativo desempenha um papel imparcial nesta questão. “Não queremos incentivar a greve. A greve é indesejável para os professores, para os alunos e também para os pais destes alunos. Mas o prefeito precisa ouvir as reivindicações e tentar chegar a um acordo. Os professores pedem por essas melhorias há tempos. Tivemos uma reunião com a secretária [Andrea Schoereter] esta semana, e agora recebemos os professores, para ouvir os dois lados e tentar chegar a um consenso”, ressaltou.

Líder do prefeito Fábio Schoereter na Câmara Municipal, o vereador Welson Silva afirma compreender a mobilização dos professores, mas que é preciso diálogo, e que o Poder Executivo concede o que está dentro de suas condições. “Entendemos que as reivindicações dos professores são pertinentes. Defendemos uma remuneração justa para todo e qualquer trabalhador. O princípio da igualdade, da isonomia, deveria garantir uma remuneração justa para todos. Agora, o que se precisa efetivamente é discutir com o governo quais são as possibilidades que o Executivo têm para atender a essas reivindicações. Precisamos levar em conta a necessidade das reivindicações e a possibilidade de quem pode atender essas reivindicações. O diálogo é sempre o melhor caminho”, lembrou o vereador.

Ainda de acordo com Welson Silva, as dificuldades do Município se devem até mesmo porque Campo Verde arca com responsabilidades de terceiros. “É fato que o Governo Municipal tem assumido responsabilidades que são do Governo do Estado e até mesmo do Governo Federal e, em alguns momentos, existe dificuldade de cumprir com suas obrigações. Acredito muito no diálogo entre o Sintep, defendendo a categoria, e o Executivo, com o apoio da Câmara, para chegarmos ao melhor entendimento”, ressaltou.

Nesta sexta-feira (16), representantes da categoria se reunirão com o prefeito Fábio Schoereter. Eles esperam ouvir uma proposta do Poder Executivo. Durante o dia, os professores se mobilizam em um “Dia D”, e devem discutir o que for proposto pela Administração Municipal. Se não houver nenhum avanço nas negociações, os professores realizarão Assembléia na próxima segunda-feira (19). Durante a Assembléia, a categoria vota se entra ou não em greve. Se os professores optarem pela greve, a paralisação deve ter início na quinta-feira (22), respeitando o prazo de 72 horas estabelecido por lei.

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